Hamlet entre saber e ato: Shakespeare, Freud e Lacan

In: Entrelaçamentos: perspectivas clínicas em Psicologia. Uma homenagem aos 70 anos de Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo. Rio de Janeiro: Ed. IFEN, 2023.

O presente trabalho parte da hipótese de que o recurso à literatura empreendido por Sigmund Freud e Jacques Lacan, em suas respectivas abordagens da tragédia Hamlet, de Shakespeare, concernem à fundamentação conceitual do campo psicanalítico e suas consequências teóricas e clínicas. Remetendo-se à tragédia sofocliana Édipo rei, Freud postula o complexo de Édipo como constituindo o núcleo da neurose. Em relação a esta problemática, problematiza o fato de que o príncipe dinamarquês Hamlet se encontra impedido de cumprir o juramento de vingar a morte do pai em virtude de sua identificação ao assassino – evidenciando, assim, a problemática edípica em jogo na referida tragédia moderna. A partir destas coordenadas, Lacan aborda esta tragédia shakespeariana propondo novas linhas de interpretação. Destaca o fato de que o pai de Hamlet sabe que está morto e, por retornar da morte para fazer de seu filho o instrumento desse saber totalizante, impede que este venha a se responsabilizar por seu ato. Tais indicações fornecem relevantes balizas que permitem cernir os impasses do sujeito frente ao desejo inconsciente, tal como esta problemática é articulada pela psicanálise.

https://psicanaliseliteratura.capile.net/artigos/hamlet-entre-saber-e-ato.pdf

Psicanálise, Tragédia, Desejo, Saber, Ato