Complexo de Édipo - 78ª referência

Freud, Sigmund (1996oo). Novas conferências introdutórias sobre psicanálise: Conferência XXXIII - feminilidade. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XXII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933[1932]).

A citação encontra-se em “Novas conferências introdutórias sobre psicanálise” (1933 [1932]), na Conferência XXXIII, “Feminilidade”, páginas 128-129. Refere-se a situação edípica feminina, a qual diverge do édipo masculino. Neste, o complexo de castração, medo de perder o pênis, é o motor do declínio do complexo de Édipo. Na menina, por outro lado, o complexo de castração é responsável pela sua entrada no complexo de Édipo, diante do qual espera receber do pai um bebê. Esta diferença possui implicações na própria constituição das instâncias psíquicas, mais especificamente, o Supereu, formado após o declínio do complexo de Édipo.

Com a transferência, para o pai, do desejo de um pênis-bebê, a menina inicia a situação do complexo de Édipo. A hostilidade contra sua mãe, que não precisa ser novamente criada, agora se intensifica muito, de vez que esta se torna rival da menina, rival que recebe do pai tudo o que dele deseja. Por muito tempo, o complexo de Édipo da menina ocultou à nossa observação a sua vinculação pré-edipiana com sua mãe, embora seja tão importante e deixe atrás de si fixações tão duradouras. Para as meninas, a situação edipiana é o resultado de uma evolução longa e difícil; é uma espécie de solução preliminar, uma posição de repouso que não é logo abandonada, especialmente porque o início do período de latência não está muito distante. E então nos surpreende uma diferença entre os dois sexos, provavelmente transitória, no que diz respeito à relação do complexo de Édipo com o complexo de castração. Num menino, o complexo de Édipo, no qual ele deseja a mãe e gostaria de eliminar seu pai, por ser este um rival, evolui naturalmente da fase de sexualidade fálica. A ameaça de castração, porém, impele-o a abandonar essa atitude. Sob a impressão do perigo de perder o pênis, o complexo de Édipo é abandonado, reprimido e, na maioria dos casos, inteiramente destruído [ver [1]], e um severo superego instala-se como seu herdeiro. O que acontece à menina é quase o oposto. O complexo de castração prepara para o complexo de Édipo, em vez de destruí-lo; a menina é forçada a abandonar a ligação com sua mãe através da influência de sua inveja do pênis, e entra na situação edipiana como se está fora um refúgio. Na ausência do temor de castração, falta o motivo principal que leva o menino a superar o complexo de Édipo. As meninas permanecem nele por um tempo indeterminado; destroem-no tardiamente e, ainda assim, de modo incompleto. Nessas circunstâncias, a formação do superego deve sofrer um prejuízo; não consegue atingir a intensidade e a independência, as quais lhe conferem sua importância cultural, e as feministas não gostam quando lhes assinalamos os efeitos desse fator sobre o caráter feminino em geral (Freud, 1996oo, p. 128-9).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00