Complexo de Édipo - 76ª referência

Freud, Sigmund (1996oo). Novas conferências introdutórias sobre psicanálise: Conferência XXXIII - feminilidade. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XXII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933[1932]).

A citação encontra-se em “Novas conferências introdutórias sobre psicanálise” (1933 [1932]), na Conferência XXXIII, “Feminilidade”, página 119. Freud diferencia o complexo de Édipo do menino e da menina. Ambos têm a mãe como primeiro objeto de investimento libidinal, porém, a entrada efetiva no complexo de Édipo pela menina, ocorre a partir da mudança de objeto investido. Agora o pai torna-se objeto de amor e seu ódio é reservado para a mãe, acompanhada da mudança de zona erógena. Em um primeiro momento, o clitóris assumia o papel de zona erógena, era o órgão privilegiado de satisfação, enquanto a mãe é o objeto desejado. Posteriormente, esta se desloca para a vagina e o objeto de amor se torna o pai. Freud questiona o que estaria em jogo nesta dupla mudança para que a mulher assuma o lugar feminino.

Retornaremos ao papel que desempenha o clitóris; passemos agora à segunda tarefa que sobrecarrega o desenvolvimento da menina. Para um menino, sua mãe é o primeiro objeto de seu amor, e ela assim permanece também durante a formação do complexo de Édipo e, em essência, por toda a vida dele. Para a menina, também, o seu primeiro objeto deve ser sua mãe (e as figuras da babá e da nutriz, que nela se fundem). As primeiras catexias objetais ocorrem em conexão com a satisfação de necessidades vitais importantes e simples, e as circunstâncias relativas à criação dos filhos são as mesmas para ambos os sexos. Na situação edipiana, porém, a menina tem seu pai como objeto amoroso, e espera-se que no curso normal do desenvolvimento ela haverá de passar desse objeto paterno para sua escolha objetal definitiva. Com o passar do tempo, portanto, uma menina tem de mudar de zona erógena e de objeto - e um menino mantém ambos. Surge então a questão de saber como isto ocorre: particularmente, como é que a menina passa da vinculação com sua mãe para a vinculação com seu pai? ou, em outros termos, como passa ela da fase masculina para a feminina, à qual biologicamente está destinada? (Freud, 1996oo, p. 119).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00