Complexo de Édipo - 71ª referência

Freud, Sigmund (1996oo). Novas conferências introdutórias sobre psicanálise: Conferência XXXI - a dissecação da personalidade psíquica. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XXII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933[1932]).

A citação encontra-se em “Novas conferências introdutórias sobre psicanálise” (1933 [1932]), na Conferência XXXI: “A dissecção da personalidade psíquica”, páginas 69-70. Freud aborda a instância psíquica cunhada na sua segunda tópica do aparelho psíquico: o Supereu. Esta instância psíquica, argumenta Freud, é herdeira direta das influências parentais mais primitivas, considerada uma identificação bem sucedida com a instância parental, e mantém íntima relação com o declínio do complexo de édipo

Eu próprio não estou, de modo algum, satisfeito com esses comentários sobre identificação; mas isto será suficiente se os senhores puderem assegurar-me de que a instalação do superego pode ser classificada como exemplo bem-sucedido de identificação com a instância parental. O fato que fala decisivamente a favor desse ponto de vista é que essa nova criação de uma instância superior dentro do ego está muito intimamente ligada ao destino do complexo de Édipo, de modo que o superego surge como o herdeiro dessa vinculação afetiva tão importante para a infância. Abandonando o complexo de Édipo, uma criança deve, conforme podemos ver, renunciar às intensas catexias objetais que depositou em seus pais, e é como compensação por essa perda de objetos que existe uma intensificação tão grande das identificações com seus pais, as quais provavelmente há muito estiveram presentes em seu ego. Identificações desse tipo, cristalização de catexias objetais a que se renunciou, repetir-se-ão muitas vezes, posteriormente, na vida da criança; contudo, está inteiramente de acordo com a importância afetiva desse primeiro caso de uma tal transformação o fato de que se deve encontrar no ego um lugar especial para seu resultado. Uma investigação atenta mostrou-nos, também, que o superego é tolhido em sua força e crescimento se a superação do complexo de Édipo tem êxito apenas parcial. No decurso do desenvolvimento, o superego também assimila as influências que tomaram o lugar dos pais - educadores, professores, pessoas escolhidas como modelos ideais. Normalmente, o superego se afasta mais e mais das figuras parentais originais; torna-se, digamos assim, mais impessoal. E não se deve esquecer que uma criança tem conceitos diferentes sobre seus pais, em diferentes períodos de sua vida. À época em que o complexo de Édipo dá lugar ao superego, eles são algo de muito extraordinário; depois, porém, perdem muito desse atributo. Realizam-se, pois, identificações também com esses pais dessa fase ulterior, e, na verdade, regularmente fazem importantes contribuições à formação do caráter; nesse caso, porém, apenas atingem o ego, já não mais influenciam o superego que foi determinado pelas imagos parentais mais primitivas (Freud, 1996oo, p. 69-70).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00