Complexo de Édipo - 66ª referência

Freud, Sigmund (1996ll). Dostoiévski e o parricídio. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1928[1927]).

A citação encontra-se em “Dostoievski e o parricídio” (1928 [1927]), página 198. Freud reconheceu que no romance de Dostoiévski Os irmãos Karamázov também é possível encontrar os mesmos elementos que compõem o complexo de Édipo. No romance, está presente a disputa entre um dos irmãos, Dmitri Karamázov, e o pai pelo amor de uma dama. Além da acusação e condenação por parricídio a esse mesmo irmão. O reconhecimento destes elementos em obras literários não é novo para Freud. Em “A interpretação dos sonhos” (1900), obra inaugural da psicanálise, já reconhecera a presença dos elementos edípicos nas peças de Sófocles, Édipo rei, e Hamlet, de William Shakespeare. Neste artigo sobre Dostoiévski, Freud retoma as considerações feitas em 1900 acerca de Hamlet.

Na peça inglesa, a apresentação é mais indireta; o herói não comete o crime ele próprio; este é executado por outra pessoa, para quem não constitui parricídio. O motivo oculto da rivalidade sexual pela mulher, portanto, não precisa ser disfarçado. Ademais, vemos o complexo de Édipo do herói sob uma luz por assim dizer refletida, tomando conhecimento do efeito causado sobre ele pelo crime do outro. Deveria vingar esse crime, mas, de modo bastante estranho, descobre-se incapaz de fazê-lo. Sabemos que é seu sentimento de culpa que o paralisa, mas, de modo totalmente de acordo com os processos neuróticos, o sentimento de culpa é deslocado para a percepção de sua inaptidão em cumprir sua missão. Há sinais de que o herói sente essa culpa como superindividual. Ele despreza os outros não menos do que a si mesmo: ‘Dê a cada homem o que merece, e quem escapará do açoite?’ (Freud, 1996ll, p. 198).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00