Freud, Sigmund (1996gg). Um estudo autobiográfico. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XX. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1925[1924]).
A citação encontra-se em “Um estudo autobiográfico” (1925 [1924]), no capítulo VI, páginas 69-70. Nela, Freud discorre a respeito de sua obra Totem e tabu (1912-13):
As principais fontes literárias de meus estudos nesse campo foram as conhecidas obras de J. G. Frazer (Totemism and Exogamy e The Golden Bough), um filão de valiosos fatos e opiniões. Mas Frazer pouco realizou no sentido de elucidar os problemas do totemismo: ele várias vezes alterara fundamentalmente seus pontos de vista sobre o assunto, e os outros etnólogos e pré-historiadores parecem estar em igual incerteza e discordância. Meu ponto de partida foi a impressionante correspondência entre as duas ordenações tabus do totemismo (não matar o totem e não ter relações sexuais com qualquer mulher do mesmo clã do totem) e os dois elementos do complexo de Édipo (livrar-se do pai e tomar a mãe como esposa). Vi-me, portanto, tentado a equacionar o animal-totem com o pai; e, de fato, os próprios povos primitivos fazem isso explicitamente honrando-o como o ancestral do clã. A seguir vieram em meu auxílio dois fatos da psicanálise, uma feliz observação de uma criança feita por Ferenczi [1929a], que me permitiu referir-me a um ‘retorno infantil do totemismo’, e a análise de fobias animais iniciais nas crianças, que tantas vezes revelaram que o animal era um substituto do pai, um substituto para o qual o medo ao pai, oriundo do complexo de Édipo, fora deslocado. Não me faltava muito para reconhecer o assassinato do pai como o núcleo do totemismo e o ponto de partida na formação da religião (Freud, 1996gg, p. 69-70).
Complexo de Édipo
29/10/2025 00:00