Complexo de Édipo - 52ª referência

Freud, Sigmund (1996gg). Um estudo autobiográfico. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XX. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1925[1924]). 

A citação encontra-se em “Um estudo autobiográfico” (1925 [1924]) no capítulo III, página 40. Freud remete-se à sua teoria da sedução, elaborada entre 1895 e 1897, na qual acreditava que a origem da neurose encontrava-se em uma experiência de sedução sexual infantil onde um adulto teria algum comportamento sexual em relação à criança. Esta teoria foi elaborada a partir da escuta de relatos de diversos pacientes que narravam uma cena de sedução na infância nas quais Freud, em um primeiro momento, acreditou. Posteriormente abandona a teoria ao concluir que tais cenas nunca tinham ocorrido senão na mente de seus pacientes, o que o fez repensar o papel da fantasia na psicanálise. Como muitos de seus pacientes eram mulheres e estas apresentavam uma fantasia de sedução na qual o adulto normalmente era o pai, Freud pôde, retrospectivamente, reconhecer a ligação entre a fantasia de sedução e o complexo de Édipo.

Quando me havia refeito, fui capaz de tirar as conclusões certas da minha descoberta: a saber, que os sintomas neuróticos não estavam diretamente relacionados com fatos reais, mas com fantasias impregnadas de desejos, e que, no tocante à neurose, a realidade psíquica era de maior importância que a realidade material. Mesmo agora não creio que forcei as fantasias de sedução aos meus pacientes, que as ‘sugeri’. Eu tinha de fato tropeçado pela primeira vez no complexo de Édipo, que depois iria assumir importância tão esmagadora, mas que eu ainda não reconhecia sob seu disfarce de fantasia. Além disso, a sedução durante a infância retinha certa parcela, embora mais humilde, na etiologia das neuroses. Mas os sedutores vieram a ser, em geral, crianças mais velhas (Freud, 1996gg, p. 40).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00