Freud, Sigmund (1996t). Além do princípio de prazer. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XVIII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1920).
A citação encontra-se em “Além do princípio de prazer” (1920) no capítulo III. Neste trecho, Freud ressalta a insuficiência do método analítico interpretativo, no qual o analista apontaria as resistências do paciente a ele, induzindo-o a abandoná-las, destacando o protagonismo do complexo de Édipo na constituição do material produtor de resistências.
Contudo, tornou-se cada vez mais claro que o objetivo que fora estabelecido – que o inconsciente deve tornar-se consciente, não era completamente atingível através desse método. O paciente não pode recordar a totalidade do que nele se acha reprimido, e o que não lhe é possível recordar pode se exatamente a parte essencial. Dessa maneira, ele não adquire nenhum sentimento de convicção da correção da construção teórica que lhe foi comunicada. É obrigado a repetir o material reprimido como se fosse uma experiência contemporânea em vez de, como o médico preferiria ver, recordá-lo como algo pertencente ao passado. Essas reproduções, que surgem com tal exatidão indesejada, sempre têm como tema alguma parte da vida sexual infantil, isto é, do complexo de Édipo, e de seus derivativos, e são invariavelmente atuadas (acted out) na esfera de transferência, da relação do paciente com o médico (Freud, 1996t, p. 28, grifos do original).
Complexo de Édipo
29/10/2025 00:00