Complexo de Édipo - 30ª referência

Freud, Sigmund (1996q). História de uma neurose infantil. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XVII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1918[1914]).

A citação encontra-se em “História de uma neurose infantil” (1918[1914]) no capítulo IX, intitulado “Recapitulação e problemas”, página 125. Freud aborda a hereditariedade do complexo de Édipo, atribuindo sua configuração a uma característica filogenética da organização humana, capaz de dar conta das experiências reais pelas quais passam as crianças na infância.

Acabo de chegar ao final daquilo que tinha para dizer acerca deste caso. Restam dois problemas, dentre os muitos que o caso levanta, os quais me parecem merecer um destaque especial. O primeiro relaciona-se com os esquemas filogeneticamente herdados, que, como as categorias da filosofia, dizem respeito ao trabalho de ‘situar’ as impressões originadas da experiência real. Inclino-me a assumir o ponto de vista de que são resíduos da história da civilização humana. O complexo de Édipo, que compreende a relação da criança com os pais, é um deles - é, na verdade, o mais conhecido membro da classe. Sempre que as experiências deixam de ajustar-se ao esquema hereditário, elas se remodelam na imaginação - um processo que poderia, com muito proveito, ser seguido detalhadamente. São precisamente tais casos que se destinam a convencer-nos da existência independente do esquema. Muitas vezes conseguimos ver o esquema triunfar sobre a experiência do indivíduo; como quando, no presente caso, o pai do menino tornou-se o castrador e a ameaça à sua sexualidade infantil, apesar daquilo que era, em outros aspectos, um complexo de Édipo invertido. Processo semelhante entra em ação quando uma babá desempenha o papel da mãe ou quando as duas se fundem. As contradições entre a experiência e o esquema parecem suprir os conflitos da infância com material abundante (Freud, 1996q, p. 125).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00