Complexo de Édipo - 17ª referência

Freud, Sigmund (1996j). Totem e Tabu. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. XIII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1913).

A citação encontra-se em “Totem e tabu” (1913) no capítulo IV, intitulado “O retorno do totemismo na infância”, parte (3), página 139. Freud descreve o caso do pequeno Árpád (paciente de Ferenczi) e atenta para o paralelismo com a história do pequeno Hans: ambos os meninos admiram e temem o pai pelas mesmas razões. No caso Árpád, a cegueira é um castigo substituto à castração que ameaça a criança. A adoção da cegueira como punição remete-nos ao mito de Édipo e à tragédia de Sófocles:

Pode-se com justiça dizer que nessas fobias de crianças reaparecem algumas das características do totemismo, mas invertidas para o negativo. Devemos, entretanto, a Ferenczi (1913a) uma interessante história de um caso isolado que só pode ser descrito como um exemplo de totemismo positivo numa criança. É verdade que no caso do pequeno Árpád (sujeito da comunicação de Ferenczi), seus interesses totêmicos não surgiram em relação direta com o complexo de Édipo, e sim baseados em sua pré-condição narcisista, o temor da castração. Mas qualquer leitor atento da história do pequeno Hans encontrará provas abundantes de que ele também admirava o pai por possuir um pênis grande e temia-o por ameaçar o seu. O mesmo papel é desempenhado pelo pai tanto no complexo de Édipo quanto no complexo de castração, ou seja, o papel de um inimigo temível dos interesses sexuais da infância. O castigo com que ele ameaça é a castração, ou o seu substituto, a cegueira (Freud, 1996j, p. 139, grifo do original).

A este parágrafo acompanha a seguinte nota:

Quanto à substituição da castração pela cegueira, que acontece também no mito edipiano, ver Reitler (1913), Ferenczi (1913b), Rank (1913) e Eder (1913). (Freud, 1996j, p. 139).

Complexo de Édipo

29/10/2025 00:00