Freud, Sigmund (1996f). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud vol. VII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1905).
A citação encontra-se em “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905), no capítulo intitulado “As transformações da puberdade”, no subcapítulo (5) “O Encontro do Objeto, tópico - A barreira do incesto”, em uma nota acrescentada em 1920 no artigo, página 213. Neste tópico, Freud aborda a barreira do incesto como uma exigência cultural da sociedade que implica na exclusão dos parentes consanguíneos do campo de escolhas objetais do sujeito. O criador da psicanálise ressalta a inclinação do sujeito a escolher como objetos sexuais as pessoas a quem ama desde a infância, que se configura como o complexo de Édipo, apontando que a barreira do incesto serviria justamente para impedir tal acontecimento.
Mas é na [esfera da] representação que se consuma inicialmente a escolha do objeto, e a vida sexual do jovem em processo do amadurecimento não dispõe de outro espaço que não o das fantasias, ou seja, o das representações não destinadas a concretizar-se³. Nessas fantasias, as inclinações infantis voltam a emergir em todos os seres humanos, agora reforçadas pela premência somática, e entre elas, com freqüência uniforme e em primeiro lugar, o impulso sexual da criança em direção aos pais, quase sempre já diferenciado através da atração pelo sexo oposto: a do filho pela mãe e a da filha pelo pai. Contemporaneamente à subjugação e ao repúdio dessas fantasias claramente incestuosas consuma-se uma das realizações psíquicas mais significativas, porém também mais dolorosas, do período da puberdade: o desligamento da autoridade dos pais, unicamente através do qual se cria a oposição, tão importante para o progresso da cultura, entre a nova e a velha gerações (Freud, 1996f, p. 213).
Nota de rodapé 3, página 214:
[...] Afirmou-se, justificadamente, que o complexo de Édipo é o complexo nuclear das neuroses, representando a peça essencial no conteúdo delas. Nele culmina a sexualidade infantil, que, por seus efeitos posteriores, influencia de maneira decisiva a sexualidade do adulto. Cada novo ser humano confronta-se com a tarefa de dominar o complexo de Édipo, e aquele que não consegue realizá-la sucumbe à neurose. O progresso do trabalho psicanalítico tornou cada vez mais clara essa importância do complexo de Édipo; seu reconhecimento converteu-se no Schiboleth [traço distintivo] que separa os partidários da psicanálise de seus oponentes. [Acrescentado em 1924:] Num outro texto (1924), Rank fez remontar o vínculo com a mãe à pré-história embrionária, assim indicando a fundamentação biológica do complexo de Édipo. Divergindo do exposto acima, ele deriva a barreira do incesto da impressão traumática provocada pela angústia do nascimento. [Ver Cap. X de Inibição, Sintoma e Angústia (1926d).] (Freud, 1996f, p. 214).
Complexo de Édipo
29/10/2025 00:00