Comentário sobre o filme Augustine, direção de Alice Winocour (França, 2012)
Caranguejos vivos debatem-se em vão numa panela de água fervente. Sua visão provoca uma inesperada crise em Augustine, jovem criada de uma família burguesa em Paris no final do século XIX. Levada ao complexo hospitalar Pitié-Salpêtrière, é admitida no serviço do Dr. Jean-Martin Charcot (1825-1893), renomado neurologista e ocupante da cátedra de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina de Paris. Também ela se convulsiona em espasmos involuntários, presa de um ardor inominável. Assim tem início a saga de Augustine, de Alice Winocour (França, 2012), e do Dr. Charcot – personagens que remetem às figuras da paciente Anna O. e seu médico, o clínico vienense Josef Breuer. Corre o ano de 1885 e Charcot se dedica ao estudo do enigmático fenômeno da histeria conferindo-lhe um estatuto clínico, a despeito da fragilidade nosográfica dessa entidade aparentada à possessão demoníaca.
VORSATZ, I.. Augustine e o gabinete do Dr. Charcot. Trivium (Rio de Janeiro. Online), v. VI, p. 119-120, 2014.
https://psicanaliseliteratura.capile.net/artigos/augustine-e-dr-charcot.pdf
02/02/2026 00:00